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Empresas aproveitam "janela" para fazer captação no exterior
 
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DCI

22/07/2010

 

As empresas brasileiras estão aproveitando o aumento do apetite dos investidores norte-americanos para captar recursos no exterior. Isso, porém, não significa que haja uma janela aberta para tais emissões.

 

Depois de lançar, na última sexta-feira, US$ 200 milhões em dívida subordinada de 10 anos, com cupom de 9,625% ao ano, o Banco Mercantil do Brasil aceitou a solicitação de um grupo de investidores dos EUA, e reabriu a operação para levantar mais US$ 50 milhões, levando o total dessa emissão a US$ 250 milhões.

 

"A janela ainda não está aberta para os investidores europeus. É uma oportunidade pontual. A visão que temos é de que os europeus ainda estão muito retraídos. A maior parte dos investidores de nossa oferta veio dos EUA, o que não é normal", explica Cristiano Gomes, diretor financeiro do Banco Mercantil do Brasil.

 

Para Fausto Gouveia, economista da Legan Asset Management, o Brasil, em relação ao resto do mundo, melhorou muito. "As empresas estão aproveitando o grau de investimento que o Brasil recebeu para realizar captações com taxas menores às praticadas aqui", afirma o economista.

 

De acordo com a agência de classificação de risco Fitch Ratings, a empresa atribuiu ontem o rating "BB+" à proposta de emissão adicional de notas seniores sem garantia da Braskem Finance no valor de US$ 350 milhões referente à reabertura a novos e antigos investidores da emissão de notas seniores, com cupom de 7% e vencimento em 2020.

 

"É visível a permanência da tendência de emissões de empresas brasileiras no mercado externo por conta da estabilidade frente ao dólar", diz Gouveia.

 

O executivo do Banco Mercantil do Brasil afirma que apesar do apetite dos investidores norte-americanos, os europeus ainda estão fora das ofertas. "Não vejo, no curto prazo, uma mudança radical na Europa. O mercado europeu já está de férias e só volta depois do dia 1º de setembro", acrescenta o diretor financeiro.

 

Existem ainda algumas empresas que prometem manter o mercado aquecido. Entre as companhias que sondam o mercado externo estão Odebrecht, Sabesp, Magnesita, ABC Brasil, Net e o banco BMG. A próxima candidata é a JBS, que deve lançar bônus de 10 anos nos próximos dias. Ontem, a Fitch Ratings já atribuiu classificação "BB-" para a oferta que o frigorífico pretende fazer no mercado externo. A agência de risco estima que a companhia deva captar cerca de US$ 400 milhões, com vencimento para janeiro de 2018.

 

Outras empresas já lançaram títulos no exterior, como é o caso da Gol Linhas Aéreas, que conseguiu captar US$ 300 milhões, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), com montante financeiro de US$ 1 bilhão, e Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&F Bovespa), que captou US$ 612 milhões para pagar uma parceria com a CME Group.

 

Por conta da crise na Europa, muitas emissões previstas para maio e junho foram adiadas pelas empresas. Com o aumento da aversão a risco, este mercado ficou dois meses praticamente parado; somente no começo de julho essas operações voltaram com vigor, por isso a expectativa é de que elas avancem agora, principalmente nas duas primeiras semanas do mês de agosto, avalia a estrategista de emissões corporativas do banco de investimento ING, Natalia Corfield.

 

A demanda deve continuar aquecida, prevê a analista. "Os bons fundamentos das empresas brasileiras e as perspectivas de forte crescimento econômico do Brasil estão despertando o interesse do investidor estrangeiro por papéis de empresas", disse ela. Prova disso é que a demanda foi superior à oferta de papéis em todas as emissões feitas nas últimas semanas. Na CSN, que captou US$ 1 bilhão, a procura chegou a US$ 2,8 bilhões.

 

Mesmo com toda a euforia nas captações, Gomes afirma que os investidores asiáticos não mostraram tanto apetite na oferta. "Na Ásia há muita liquidez e investidores de olho no Brasil, mas as ordens são menores em relação aos investidores norte-americanos. O investidor está muito seletivo. O nível de perguntas e análises é muito mais profundo", finaliza o executivo.

 

Eduardo Puccioni

 


 
 
 

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